25 / 08 / 2010
Estudo questiona ’sobrevivência do mais forte’ de Darwin

Por clipping

Charles Darwin talvez estivesse errado quando disse que a competição era a principal força impulsionando a evolução das espécies.
O autor de “A Origem das Espécies”, obra publicada em 1859 que lançou as bases da Teoria da Evolução, imaginou um mundo no qual os organismos lutavam por supremacia e em que apenas o mais forte sobrevivia.
Mas uma nova pesquisa identifica a disponibilidade de espaço para desenvolvimento de vida, em vez de competição, como o principal fator da evolução.

A pesquisa, conduzida pelo estudante de pós-doutorado Sarda Sahney e outros colegas da Universidade de Bristol, foi publicada na revista científica Biology Letters.
Eles usaram fósseis para estudar padrões de evolução ao longo de 400 milhões de anos.
Focando apenas em animais terrestres – anfíbios, répteis, mamíferos e pássaros – os cientistas descobriram que a quantidade de biodiversidade tem relação com o espaço disponível para a vida se desenvolver ao longo do tempo.
Ambiente – O conceito de espaço para a vida – conhecido na literatura científica como “conceito de nicho ecológico” – se refere às necessidades particulares de cada organismo para sobreviver. Entre os fatores estão a disponibilidade de alimentos e um habitat favorável à procriação.
A pesquisa sugere que grandes mudanças de evolução de espécies acontecem quando animais se mudam para áreas vazias, não ocupadas por outros bichos.
Por exemplo, quando os pássaros desenvolveram a habilidade de voar, eles abriram uma nova fronteira de possibilidades aos demais animais.
Igualmente, os mamíferos tiveram a chance de se desenvolver depois que os dinossauros foram extintos, dando “espaço para a vida” aos demais animais.
A ideia vai de encontro ao conceito darwinista de que uma intensa competição por recursos em ambientes altamente populosos é a grande força por trás da evolução.
Para o professor Mike Benton, co-autor do estudo, a “competição não desempenha um grande papel nos padrões gerais de evolução”.
“Por exemplo, apesar de os mamíferos viverem junto com os dinossauros há 60 milhões de anos, eles não conseguiam vencer os répteis na competição. Mas quando os dinossauros foram extintos, os mamíferos rapidamente preencheram os nichos vazios deixados por eles e hoje os mamíferos dominam a terra”, disse ele à BBC.
No entanto, para o professor Stephen Stearns, biólogo evolucionista da universidade americana de Yale, que não participou do estudo, “há padrões interessantes, mas uma interpretação problemática” no trabalho da Universidade de Bristol.
“Para dar um exemplo, se os répteis não eram competitivamente superiores aos mamíferos durante a Era Mesozoica, então por que os mamíferos só se expandiram após a extinção dos grandes répteis no fim da Era Mesozoica?”
“E, em geral, qual é o motivo de se ocupar novas porções de espaço ecológico, se não o de evitar a competição com outras espécies no espaço ocupado?” (Fonte: G1)

Segue abaixo, o resumo do artigo (em inglês)
http://rsbl.royalsocietypublishing.org/content/6/4/544.abstract
Links between global taxonomic diversity, ecological diversity and the expansion of vertebrates on land
Sarda Sahney1,*,
Michael J. Benton1 and
Paul A. Ferry2
+ Author Affiliations
1Department of Earth Sciences, University of Bristol, Wills Memorial Building, Queen's Road, Bristol BS8 1RJ, UK
2Eikonworks, 805 3rd Street, Canmore, Alberta, Canada T1W 2J2
*Author for correspondence (s.sahney@bristol.ac.uk).

Abstract

Tetrapod biodiversity today is great; over the past 400 Myr since vertebrates moved onto land, global tetrapod diversity has risen exponentially, punctuated by losses during major extinctions. There are links between the total global diversity of tetrapods and the diversity of their ecological roles, yet no one fully understands the interplay of these two aspects of biodiversity and a numerical analysis of this relationship has not so far been undertaken. Here we show that the global taxonomic and ecological diversity of tetrapods are closely linked. Throughout geological time, patterns of global diversity of tetrapod families show 97 per cent correlation with ecological modes. Global taxonomic and ecological diversity of this group correlates closely with the dominant classes of tetrapods (amphibians in the Palaeozoic, reptiles in the Mesozoic, birds and mammals in the Cenozoic). These groups have driven ecological diversity by expansion and contraction of occupied ecospace, rather than by direct competition within existing ecospace and each group has used ecospace at a greater rate than their predecessors.

PS.:

"A propósito, eu li uns trechos dos diários de Colombo -quando da sua decida nas Bahamas em 1492- que vale a pena transcerver. Foi assim relatado "Bandos de papagaios escurecem o sol"..."""(Manú de Lima)

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seguidores/Compartilhando